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Liduina do Nascimento
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Fascínio Natural





É mágico a sensação que sinto cada vez que retorno à essa cidade que eu tanto amo, ela é assim do mesmo jeitinho como se fosse um desenho daqueles meus antigos livros de infância, a praça, a igreja, a estação simples, onde vendem os bilhetes de viagem à beira da estrada, casas antigas, as árvores centenárias, algumas ruas permanecem sem asfalto, o  mesmo sorriso acolhedor das minhas tias, irmãs do meu pai, que
Estão sempre de braços abertos para nós, tias:
Chiquinha, Rosinha, Joaninha e Mazé...
Os cabelos brancos dos meus primos, e do único irmão do meu pai que restou de treze irmãos, meu tio José Maria, que também me recebe com uma alegria tão grande, e vamos por aí à fora fazendo visitas à nossa família imensa, ali suas vidas prosseguem sem a menor vontade de virem morar em Fortaleza-Ce. Ou em outra cidade grande.

Vamos subir às serras, são tantas montanhas, eu quero os vidros abertos, para ouvir o vento, vou ouvindo o meu tio falando bem alto, contando coisas, eu acho graça o tempo todo, ele é um homem dos seus setenta e poucos anos, mas tem um jeito tão animado que eu até esqueço que o tempo vai pesando sim, com algumas limitações sobre nós, afinal a nossa juventude está bem distante.

Eu vou gravando em minha memória cada nuvem que cai sobre as serras, vou admirando o contraste do verde espalhado montanhas à fora, às vezes os raios de sol focam por entre uma serra e outra iluminando as sombras das nuvens e das serras...
Os caminhos todos, ah que coisa mais linda meu Deus!
Fico deslumbrada literalmente, me sinto parte desse lugar.
Na subida à serra mais alta, aos poucos vou sentindo a frieza do ambiente que muda radicalmente, que frio gostoso, pronto chegamos...
Cheiro de relva,
frutos maduros caídos das árvores, o chiado das folhas secas sob os meus pés... Penso em poesia, penso no meu amado tão longe... Tão em mim.
Agora,
Caldo de cana de açúcar com suco de tangerina, o cheirinho do fogão à lenha que alguns ainda conservam... - Vão almoçar por aqui?
E eu nem penso em alimento nesse instante, o alimento pra alma me basta.

Fico anestesiada de tanta emoção que quem me olha pensa que eu estou ali, mas não, eu vou para a minha infância e parece que estou vendo o meu pai, a minha avó, o meu avô, os meus tios por parte da avó materna, os meus tios irmãos do meu pai e suas esposas que já se foram, ali sorrindo para mim,
Volta tudo, sempre!
Não contenho as minhas lágrimas, mas não é tristeza é um fascínio natural que me invade em meio às minhas recordações e ao mesmo tempo perceber que eles se foram, eu cresci e estou envelhecendo, mas o lugar mágico,
é o mesmo, agora eu posso tocar as nuvens com os meus dedos. Um sonho realizado. Quando criança eu não podia, ficava esticando os pés para alcançá-las. Em vão, às vezes quando sonho algo impossível lembro disso.
Amo as nuvens, amo as serras, as águas,
Não conheço sensação melhor.
Isso é beber a vida.
É ser feliz em poder reviver tudo isso. Obrigada Deus!
A felicidade de poder viver é fazer festa com a vida todo dia.
É amar.

No retorno para minha cidade natal, Fortaleza...
Deixo tudo isso com pesar,  ...Esta magia, meu melhor presente.

Passo em frente ao cemitério, onde estão todos àqueles meus queridos que se foram, fico com a estranha sensação de saudade deles e de felicidade pela minha morte, porque mesmo que não haja vida após a morte, de alguma forma terei o mesmo fim que eles, ficarei no seio deste meu paraíso.
Consolo pra minha alma...


























 
Liduina Nascimento
Enviado por Liduina Nascimento em 20/11/2016
Alterado em 20/11/2016
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