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Liduina do Nascimento
Poesias
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O amor eterno existe, mas, um amor impossível, martela a sua alma condenada até o fim dos seus dias. Quanto ao amor realizado,
o que existe é a comodidade, muitas vezes em alguns casos a falsidade
de juntos seguirem. Fúlgida é a alegria do amor, o que lhe submete
à uma tolerância forçada, a submissão de uma das partes,
ao fechar os olhos, fazendo ouvidos de mercador, um tentando aceitar as falhas do outro, num sofrer resignado, quando bem velhinhos ficarem trocando juras de amor eterno, um se anulou certamente, para manter as aparências e aprisionar o outro, porque a chama já se foi a muito tempo, prefiro morrer só e triste, a ter isso como um amor.
Embora não seja regra. Nessa minha longa caminhada, já assisti histórias de verdadeiros grandes amores, e um amor quando é lindo,
me comove. Quanto a alguns casos de traição, deixar velhos sonhos reacenderem numa relação, é admitir que aos poucos inevitavelmente
a solidão transforma a alegria em noites e noites de amargos pensamentos que travam os passos, e você não consegue chegar
a lugar nenhum, melhor matar os sonhos, um a um e porque não recomeçar?  Eu nunca vou compreender tantas ridículas reticências
de alguns tolos querendo dizer o que não sente mesmo,
mas a vaidade faz permanecer juntos numa farsa. Se as suas mãos tateiam um infinito inexistente, querendo traduzir o que não tem explicação, também é inútil. Não importa o que tem do outro lado do arco íris, volte para dentro de você e aceite-se um ermitão, como eu. Resta absorver a magia de saber ir até certo ponto, será que amanhã haverá a chance de chegar dentro da alma do outro, sabendo que somos invioláveis, nunca, nunca chegaremos. Inútil amargor é
 ficar
à janela tentando transformar os seus pesadelos que você chama de sonhos, em fantasias. Não sei o que faço de mim, quando o normal
não me atrai, não me encaixo em nenhum padrão. Gosto de imaginar lugares onde nunca os meus pés irão pisar, gosto de ler poemas profundos, que não falem da vida friamente, mas que tragam 
a essência da alma que sangra em sua ânsia para além do que se vê
ao redor, a estrada pode não ter seu fim, ainda. Você pode até escrever sem ser poeta, como eu, qual problema? Uma tonta como dizem, ciente que não me troco por qualquer uma, por isso
o que me aflige, é esse não saber, esse não ter. Não me atenho
à traduzir  minha dor, senão à aliviar os meus pensamentos, quando escrevo as minhas bobagens.
Caminho sem fama, sem platéias sim, sem deixar rastros por onde outros rastros passando em seguida junto aos meus se apagarão,
o que faço é invisível, anônimo, gosto disso, sou seca, azeda, amo
o silêncio à minha frente, jamais abrirei outra vez o meu espaço, dispenso os falsos abraços, os meus apagados desejos nunca foram reais, não tenho com quem parar para regar as flores, e se chove,
ah se chove os meus olhos se jogam sozinhos,
por aí à fora, angustiados, registrando no tempo o que alcançam
sem saber ao certo se é encanto, sensibilidade, muita dor ou indecisão, se me basta viver somente, ao invés de ser tão livre quanto as minhas linhas em forma do que chamo de poesia, os meus versos são tortos como eu, "ovelha negra" sempre fui e serei por opção.
Sinto a necessidade de dizer que quem vive afogado em mágoas
não escreve lindos poemas sobre a chuva, nem rios, mas quer
queimar-se ao sol, pois viver é essa loucura de quem ama sem reciprocidade e gosta, é um gosto pelo impossível pois o alcansável entedia, maltrata e aniquila.
As almas que se amam, faz acontecer o milagre do amor e do encontro no tempo certo, desmentem e contrariam qualquer distância, pisam
o último degrau, derrubam barreiras, atravessam o espaço, deixando para trás as muralhas, deixando ajoelhados lamentando àqueles que amam o que nunca existiu, deixando a vida passar, pobres coitados. Enquanto a vida passa, os mesmos olhos fitam no espelho o que desconhece tanto quanto os próprios passos, pois a alma
não sabe se existe, olhos que fitam um nada, um ninguém,
que não se reconhece no reflexo, voa e volta, rosto implacável
evitando esse confronto se afasta urgentemente, ainda mais desencontrado por que o que não é normal, é ser. Demasiadamente me dói, ser. Sou ora um fardo pesado às minhas próprias costas,
ora deslumbramento com o simples, complicada demais, sou.
Isso me traz de volta, prosseguindo a fria e cansativa jornada.
Sei, o melhor amor é aquele que nunca conseguiu se realizar,
bate, bate no vidro, como o meu luar que um dia idealizei,
coisa que não se toca. Amar é perder a própria identidade,
a liberdade, amar é uma droga, é ingressar num mundo sem volta, é
 sonhar só, e acordar mais perdido, é brigar contra o próprio destino,
é um mal desnecessário, no final você se depara com a desilusão, que seja um amor platônico ou não. É inútil eternizar o amor quando o amor é uma fraqueza humana, inteligente é amar a si mesmo, é ser frio, egoísta, é virar a página assim como todo dia o sol se renova
e traz um novo dia para ser contemplado. Desacredito da plenitude do amor, de todo jeito ninguém foge da fome, da sede, porque a alma é insaciável, e irremediávelmente sozinha, para que se agarrar a um jeito de amor como solução? Basta viver por viver, ser feliz bastando a si mesmo. Quantas vezes recuamos, escondidos de tudo, tentando nos curar dessa doença, mas não conseguimos fugir de nós mesmos, não?
E tudo passa... Tudo passa. É mentira. Uma vez sendo amor,
não passa, a melancolia, a angústia, a incansável busca, está entranhada, quem se deixa levar por este sentimento,
não consegue se desviar da dor mais doida, e eu sem qualquer orgulho, depois de mil letrinhas, digo que não consigo esquecer você tão lindo, que desejo, sonho, delírio meu, sempre. 


_ Liduina do Nascimento
Enviado por Liduina Nascimento em 12/01/2018
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