A estrada e o tempo
Hoje, muito do que importava perde o sentido, a vaidade e alguns sonhos que no fundo sabíamos serem impossíveis... também. Tudo por dentro se acalma, diante do mar já não refletimos com tristeza, apenas admiramos um horizonte que nunca alcançaremos. Quanto aos desejos que perderam toda intensidade, nos faz pegarmos a estrada, os sentidos resumem-se em poucos gestos, quando saímos nem levamos tanta bagagem.
Somos a estrada e o tempo, na nossa incessante busca, no fim chegamos aonde desejamos... com o passar dos anos, julgamos saber mais sobre a vida, saciamos a sede, colecionamos os sofrimentos que agora calamos, inocente trajetória onde nos envolvemos menos, nos importamos menos, deixamos no esquecimento os desejos reprimidos e agora sem valor, mas nunca esquecemos de exaltarmos dentro de nós, o amor.
Diante do espelho, não nos reconhecemos... Na inquietude a vida passa... Não nos deixemos travar a vontade de sermos felizes mesmo que isso seja utopia. Não ficamos no chão, com as rasteiras que levamos, nós teimosos que somos relutamos, não nos deixamos entregar! Não queremos ir arrastando os nossos sonhos pelas ruas, não acreditamos mais num cínico destino que enquanto sonhamos alto, ele nos aponta os abismos... aos quais não vamos abraçar.
Liduina do Nascimento