Para além da janela
O tempo é uma antiga estrada, somos um trem arrastando-se
às cegas, enfrentando obstáculos, querendo alguma estação.
No percurso, inúteis falas aos ventos, em nossos olhos temos
uma venda, e ouvimos só o que nos convém, sem esperarmos
que alguém nos compreenda.
Ao olharmos para trás, aceitamos que tudo se foi, tinha que ir,
pois quem ama, ou desama, sabe que sempre chega a hora
de partir. Quem tentou ficar, não conseguiu, quem tentou
da vida desvendar seus mistérios, desistiu. Sozinho, temos que
o nosso destino cumprir.
Se você um dia amou ou foi amado,
se você sonhou e realizou lado a lado, ou no peito levou
somente um velho coração acanhado; Deve o seu caminho seguir.
Foi, também quem não conseguiu abraçar seu amor,
e àquela lágrima triste não secou, foi com o olhar distante,
para além da janela do trem, é assim, o tempo não espera por você,
por mim, nem por ninguém, avante!
Liduina do Nascimento