Reconstruir
Não é um sábado qualquer, nem um lugar comum em um desses dias em que você descobre um mundo. E percebe quanto tempo desperdiçou, com tolices. Insignificantes... Agora, resta reconstruir, traçar a nova etapa de sua vida, e viver intensamente tudo o que tem que ser... Aprender a caminhar sentindo o chão, e voar sem se importar, ou se está na contramão. É fantástico você descobrir que faz parte d'um esplêndido tempo que com propriedade chamamos de vida. Vida única, que devemos beber dela cada gota, e nos fatarmos pouco a pouco de cada fração.

Na noite passada, pela primeira vez sonhei em preto e branco, o branco
estava amarelado, parecia pergaminho. Junto à mesa de jantar; um livro,
e uma carta fechada, havia um endereço e destinatário… Sonho confuso.
Ao redor, havia flores secas, jogadas, e muita poeira, talvez fosse outono...
folhas caídas, uma flor ainda esboçava um pouco de cor. E n'um canto,
rabiscado, o seu nome e o meu, mas era um sonho somente.
Um relógio velho na parede, apontava a vida em outra época bem distante.
Acordei refletindo... Aquele livro que eu abri, contava a história da gente…
História de um amor que quase floresceu, tomou intensa dimensão, bem
fundo em minha alma, enquanto dentro de você, aos poucos ele morreu.
O meu lugar
Doze dias de recesso no final deste ano, inesperada mini férias. Era eu, em liberdade, sem tempo marcado para dormir ou acordar, indo à serra, às praias, visitando os lugares onde me sinto bem, descobrindo que o meu Ceará, em especial a minha cidade de Fortaleza, onde nasci e vivo... é o melhor espaço do mundo que eu escolho mil vezes para viver! E apaixonadamente fazer dele parte... Sol, Ipês, por entre o verde e o amarelo, estradas, matos, ora mar, ora o friozinho perfeito das serras, admirando a passarada... Descobrindo a cada dia o quanto gosto do meu Nordeste, aqui sim, conheço um bocado dele, aqui é mesmo o meu amado lugar.
Liduina do Nascimento
Procurei as minhas asas
Busco respostas que não quero ouvir, se já estão aqui,
engolindo choro que não vai adiantar... Porque outubro,
estação seca, para as margaridas?
Não consigo alcançar os meus sonhos que voam...
Quanto ao meu ninho, dele me perdi, quando fui aterrissar,
procurei as minhas asas, as perdi, não deu para alcançar.
Sonhos que tornaram-se delírios, perdi a vontade de falar,
porém eu escrevo e digo tudo; nada irá me calar.
Chovia
O que eu diria hoje...
Que ainda ontem choveu intensamente em minha alma, que assistiu as águas descerem desesperadamente à rua, tentando secar e causar uma frieza à paisagem da minha memória, que se apegou ao cheiro da terra molhada, vindo com o vento forte, que sacudiu as cores do arco-íris, para reanimar o triste fim de tarde, rápido surgiu a sombra do sol todo prosa, por detrás das nuvens, ele parecia se esconder, e ia se despedindo, gostando de ver os meus olhos se espelharem na vontade que nunca passou, mas se acostumou a espiar o amor, pelo interior do muro, mas com uma louca vontade de correr beijando a vida.
Ah vida, até o fim das águas que foram se abrigar no mar. Absorver a compreensão suave, sempre com o gosto de gratidão por mais um dia cheio de encanto e de versos, que sejam frágeis mas cheios de sentimentos, quando ainda se percebe a certeza de que os seus caminhos transportam à esperança.
Nada está perdido, há tanta energia que vem de dentro, tanta meiguice, fazendo qualquer paisagem melancólica ser a mais linda e afável! Não importa se em você existe um sonhador que chora ao abraçar a sua realidade... Não chore. Na vida há pouco tempo para o lamento. O tempo não consegue apagar as nossas lembranças, muito menos transforma a alma que se refresca na brisa da felicidade.
Sonhar é preciso, sempre, na sua realidade é você quem dá o toque de fantasia, a minha alma é sempre um pouco de sol, um pouco de chuva, um pouco de noite, ela vive a sua eterna juventude, porque cada alma tem a sua sina, a sua idade, algumas estacionam nos vinte e um, vinte e três, sem serem insensatas, apenas são o que são, não conseguem ser escuridão, só luz, não se transformam em amargor, mas flutuam cantando, escrevendo o amor.
Liduina do Nascimento