Eco insistente
Essa vida única, mágica que a cada instante me encanta, cenário de paisagens, onde nós acontecemos e aos poucos vamos sumindo sem percebermos, vamos deixando os palcos dos nossos destinos, sem sentirmos mais, falta de coisas que para nós, antes eram significantes. Começos de tanta empolgação, de dúvidas e anseios, vamos acalmando nossos sentimentos, resignificamos tantas coisas, e o saldo final é o que nos completa.
Agora restam poucas expectativas, e muitas reflexões, nos empenhamos em deixarmos sofrimento e as decepções esquecidos. Os sonhos vão diminuindo, mas persistem, os sentimentos ficam aguçados, e tudo é intensificado. Perspicazes e ressabiados… essa é a melhor fase da vida. Pelos árduos caminhos por onde passei, encontrei doçura, anjos, que me ajudaram nos tantos degraus. Foram um sustento.
Ainda tenho coisas para dizer, além do que já disse, gastei muitas letras e emarenhei-me inteira, n’um mundo de palavras, algumas aparentemente ocas, só eu sei o quanto cada uma delas para mim, fez… e faz sentido. Tolices? - Não sei, porém, cheias de sentimentos alguns loucos, outros aparentemente inventados, mas não, em cada frase escrita derramei toda minha alma.
Precisamos tirar dos rascunhos o que precisamos dizer e que nunca foi dito… Precisamos calar o que nunca poderemos dizer, reformular nosso jeito de olhar a vida, nos jogarmos e aproveitá-la inteira. Diante do espelho nos reconhecermos, e nos orgulharmos da nossa trajetória, tocar os nossos traços deixados pelo tempo e dizermos para nós mesmos; Só nós sabemos de nós!
Hoje eu sei exatamente quem sou e o que quero. Tudo o que fiz foi um caminho, tenho orgulho por ter conseguido chegar até aqui, e ainda trazer intacta a minha dignidade. A vida urge, à revelia de tudo, atendemos ao eco insistente porque existimos, e vamos nós tempo à fora, às vezes nos perdemos, e tontos nos recuperamos, seguindo os nossos destinos, vamos e vamos.
Liduina do Nascimento
