Liduina do Nascimento
Prosa poética e Crônicas
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Jogando conversa fora


Quando descobri o Recanto das Letras, não estava vivendo os melhores momentos, na verdade eu estava precisando de algo que pudesse receber as minhas duras palavras, o meu desgosto, o meu desespero de alma, então há quatorze anos atrás eu cheguei aqui como alguém caído dentro de um abismo, sem ser ouvido em um pedido de socorro… Hoje, passado tantos anos, rasguei algumas das frases ditas, apaguei inclusive da memória tudo o que não me fazia bem, e fui aos poucos transformando os versos e me reformando aos poucos.

Escrever... escrever tem sido para mim, assim como

guardar os instantes em que a alma sente, é reeditar trechos da minha memória. Se a vida lhe perguntar o que a estrada fez de você, será capaz de olhar bem dentro dos olhos da vida e sem medo responder, renasci cada vez que sofri, quando da difícil tarefa de ser eu mesma, sempre fugi... Por orgulho ou timidez num canto, me aninhei, não sendo o que hoje sou, eu venci, a falta de amor próprio, logo recuou. Lembro quantas vezes calada em um canto, chorei, às vezes muito sozinha. Outras mágoas e dores, muitas delas eu sufoquei, precisei dizer, mas nunca disse, não me permiti... Eu tive que calar toda a intenção. Enfim chegou o inverno, e como eu amo os invernos! Tão raro era ser feliz, faltava tanto a chuva... Invernos que tão rápido se iam deixando a saudade, nessa certeza de que tudo se tornava desilusão.

Quanto ao amor,

fostes uma visão real muito forte como uma noite de lua cheia, foi aurora da cor que mais amei, foi a minha infinitude que se perdeu, e os meus pés à beira mar, se perdiam na areia... Nem sei em que noite o amor surgiu na mesma rapidez que sumiu.

Nasceu de uma grande ilusão… O ano em que o amor chegou, eu gravei, faz tanto tempo que o encontrei, e eu amei intensamente. O amor realçou o brilho no meu olhar, resgatou em minha alma um jeito novo de sonhar, do bem que o amor plantou; deizou viva uma a uma as sementes.

Ao nascer de cada brolho, era esperança, que eu ragava com frases e poesias... Até o nascer das flores, para que eu pudesse com amor admirar, foi um fogo, e ardente paixão, era a mais doce e pura ilusão... Até nos  mais frios invernos, um poema de amor eterno sol de verão. A vida foi chegando sorrateira como a aurora quando aos poucos vai trazendo os primeiros raios de sol, assim ela foi apresentando o mundo para os meus olhos que sequer compreendia a sua grandeza…

Uma linda manhã é aque chuvosa, onde os pingos d'água vão batendo no vidro e escorrendo, o meu olhar se prende, e ao abrir a janela, sinto a brisa, com o cheiro  da folhagem, e é festa a vida!

Agora jogo conversa fora… Ouço o barulho da chuva e da ventania, pelos telhados... fico quieta por instantes, espero o sol chegar... Será um lindo dia depois de um esboçado inverno anunciando outro verão. Penso que os dias são mágicos, feito rio escorrendo, subindo e descendo, transbordando em suas margens, ultrapassando as sombras das árvores.

Daqui a pouco elas começarão a soltar as suas folhas, à revelia do que em meu peito transborda o amor, eu que me sinto muito distante, me perco em estações, as minhas são diferentes, parei no tempo... De tudo! Os ventos, os rios, os mares, que me levem, levem os meus sonhos e o meu desejo de amar, nesse gosto pela minha vida, eu aqui contando da minha saudade d’um amanhã que nunca aconteceu. Amar foi um jeito que os meus sentimentos encontrou para caminhar, como se fosse um imenso e florido jardim, sem nunca ralizar, e tantos junhos e janeiros de muito mais saudades estão por vir…

O primeiro texto dolorido que trouxe para esta página, e o tempo passou, tive que retirá-lo porque foi de um momento muito doloroso que eu estava vivendo, superado... retirei das minhas páginas e na verdade o deletei também da minha vida. O tempo de vida que tenho ainda não foi o bastante para mudar o meu jeito de ser no que diz respeito aos sonhos, ou no que se refere a acreditar mesmo no amor impossível, quando comecei a escrever eu lembro que tinha doze anos de idade, a mesma ilusão no momento em que escrevo, na vontade de realizar os sonhos que tenho, ainda tem a mesma intensidade, sei que a vida na realidade é bem diferente e eu resistente amadurecida, hoje consigo aceitar.

O tempo foi passando, e de real em minha vida muita coisa mudou, há mais de uma década a vida me deu uma rasteira, entre tantas outras, mas diante das derrotas eu reluto e nunca me entrego. Achei que com o passar dos anos alguma coisa em mim, não mudaria, mudei sem me tornar amarga com a vida e com as pessoas, apenas me fechei de vez no meu próprio mundo, guardando todas as fantasias que acalentam a minha alma, mas como uma lembrança, e escrever é uma dessas fantasias, que para mim, seria muito difícil deixar de fazê-lo, faz parte da minha vida, eu não consigo imaginar parar de escrever, mesmo que seja somente por mim, seria literalmente um fim. Escrever é como se fosse, já sendo a minha memória tentando registrar o que senti e não quero esquecer, outras vezes quero criar fantasias.

Nunca havia procurando com tanto afinco as letras para tentar transformá-las em sentimentos, bem como minha alma nunca sentiu tanta necessidade de expressar ansiedades e a agradável sensação ao querer antecipar a realização de tantas aspirações, e ao mesmo tempo tanto medo da decepção por nenhuma delas conseguir realizar... que seja!

Procurei expressar mas não consegui dizer o tanto que desejei agradecer de perto todas as palavras do tempo, que veio tantas vezes para me ajudar... aqui dentro ainda existe e sempre haverá esse carinho, gratidão e amor ao tempo... agora calam-se tantas emoções que nunca foram entregues em forma de um abraço caloroso, e quantas vezes abracei o amor e uma desconhecida vida.

Algo me guiou, e chegou no momento em que eu mais precisei... quando trôpega andava perdida por aí, nas várias formas de amar, a própria vida me deu ilusões e durante muito tempo, foi o que mais soube me abraçar, soube me escutar, aconselhar, e apontar o caminho que por fim sozinha sigo, com equilíbrio, e além de tudo essa cura, veio como poesia para me acalentar.

…

Hoje o dia amanheceu tão lindo, com a chuva caindo mansa e naquele escorrer devagar sob a folhagem feliz, se refrescando, balançando-se com os ventos, fui pensando que escrever é feito um caminho por onde passam os nossos olhos, passam e ficam os sentimentos e pensamentos, ah as chuvas de maio, de junho, de julho, do jeito que eu gosto, veio parecendo querer me presentear, veio curiosa, num querer me despertar para a manhã suave, tentando adivinhar os meu pensamentos despidos de mistérios, me peguei tocando as gotas com a ponta dos meus dedos, como se assim eu conseguisse o céu tocar, sem pensar nos abismos que carregam certas almas sombrias, aonde as águas levam e se escoam em lama, sem junto me levar, no brilho cinza do dia, silenciosa, cá me encontro, absorvendo por horas cada ponto, cada traço que a mim… Vem se apresentar, ora de felicidade ou de tristeza; que tão bem sei conduzir, sem preocupação, tropeços de lembranças longínquas que querem se chegar, e algumas eu deixo... não vivo de passado, mas ele faz parte não tenho como negar.

Amo a chuva tanto quanto amo os passarinhos, amo de um jeito diferente, e exagerado certamente, fiquei escutando os pássaros que se esconderam na árvore do outro lado do muro, impacientes, esperando estiar, olhando um ou outro que aos pingos se aventurou para no ar se libertar, os meus pensamentos se reportaram, mantendo fixo o olhar numa antiga cerca de arame farpado, enroscada no velho mandacaru repleto de flores e espinhos, ah quanta dificuldade eu tive para atravessar para o outro lado de um tempo entre o futuro e o passado. Quando aprumei as minhas asas e comecei a voar!

E nesse presente, não questiono mais sobre o que foi feito dos sonhos que não realizei, nem por isso o mundo feri, apenas novos sonhos criei, vivendo a realidade e alimentando-os continuarei, mas faço um rascunho da minha alma num instante natural de quem vive, sem romantizar a solidão que essa é só por dentro, reflito um outro mundo... sem querer pisei alguns desencantos quando me rejeitou a felicidade, e me reergui renovando as minhas expectativas e vontades a cada novo dia... pois a vida não vem pronta, temos que lutar, às vezes desarmados, o caminho fica mais suave, o sono fica leve, e sonhar fica mais gostoso, sem as correntes... é, escrever é feito um caminho de risos, ora de lágrimas, estar vivo é isso, podemos trilhá-lo acompanhados por muitas outras pessoas, mas o nosso destino é contemplar a paisagens sem que ninguém saiba o que vai dentro de nós, dos pequenos detalhes da alma, além das paisagens encontramos pessoas, algumas inesquecíveis, e outras que precisamos mesmo é ignorar e esquecer... mas sempre seguindo cientes de que estaremos sempre irremediavelmente sozinhos.

Nada é para sempre, o sempre é o agora, as minhas fantasias se vestem de uma realidade que a poesia traz, o que seria da poesia sem as palavras, sentidas ou inventadas, mesmo assim morreria. Seguindo aqui sem recorrer às recordações daquilo que faz entristecer, o destino me ensinou a viver, imagina se vou querer reviver o que me fez sofrer, é sacudir a cabeça, olhar para a frente, e sentir a felicidade, a minha esperança alcançou o futuro, esse lugar onde me encontro agora, ainda terei muito à percorrer, embora a minha sentença já tenha sido decretada. Insisto em seguir, humildemente na simplicidade da minha vida, sabendo que a felicidade veio para ficar comigo, como mandá-la ir embora sem mim?

Antes que um dia desses, a minha memória venha a falhar, embora possa tudo parecer bobagem, para mim é importante, vou aos poucos registrar, talvez um dia eu precise que alguém leia em voz alta as coisas que estou a contar o que eu não quero esquecer, porquê somos feitos de passado, o que mais traz referência para a nossa vida, são as memórias de infância, ainda mais quando as memórias da minha infância tenha sido repleta de coisas lindas e marcante naquele mundo que para mim, parecia o mundo mais lindo e era exatamente dele, que eu queria ter sido parte... neste mundo hoje capitalista, tudo tem um valor material, gosto de recordar as coisas que lá vivi, quando os meus pais me levavam sempre para as minhas férias passar, e são tantas tantas recordações, do lugar e das pessoas tão amadas que moravam lá... eles cedo demais se foram, tios, tias, primas, avô, avó, e foi assim na infância e na minha adolescência, juntavam-se ali os que já moravam lá, e os familiares de Fortaleza, iam também nas férias para lá, e enchíamos as casas, éramos recebidos sempre com muita alegria, e com toda certeza, como esta é a minha história, certamente escutando, se houver paciência, haverei de recordar.

Esse lugarzinho lá em cima da serra, até hoje, no meio de tantas e tantas outras serras, um lugar encantador, de onde vieram os meus pais, são caminhos estreitos, de chão batido, cercado de verde de todos os tons, das plantações de arroz, milho, de bananeiras, mangueiras, entre tantas outras , amarelados de Ipês que enfeitam os cantos por onde os olhos alcançam, lá é como se o tempo estivesse parado e mantido e hoje solitário tudo igual ficou. Às vezes olho para as fotografias do tempo em que eu ia para o Riacho das Pedras, olho a casa do meu avô Marcolino, que está bem conservada, porém sempre fechada, a única alegria permanente por lá, é a da natureza que permanece maravilhosa, com tanto verde, tantos frutos, tantos pássaros cantando felizes no meio de tanta fartura.

Contando como começamos as nossas vidas, mesmo nem havendo assim tanta evolução, naquele tempo, nem dá para acreditar, onde nós morávamos, pensando de hoje, aquela nossa casinha antiga, era só simplicidade, era muito pobrezinha e tão modesta, ainda assim, construída com varas e barro, com amor e muito suor… casinha de taipa, não havia muita coisa nela, era o básico do básico… Minha mãe, dentro dela, cuidava de tudo e de nós, com muito trabalho e amor, a nossa casinha criou vida, conhecia os nossos tantos medos, de noite a luz era ou da claridade da lua, e dentro de casa era uma lamparina, assistiu a filharada pouco a pouco chegar e com o tempo, em uma casa muito maior se transformou, recordo que enquanto éramos seis, eu e meus irmãos, ajudamos a cada tijolo nela colocar, e era uma festa, de tudo ríamos, de noite corríamos atrás dos vaga-lumes, e quando enxurrada, a algazarra era grande, descíamos os barrancos com água e areia, e as águas nos levavam, arrobando as barreiras que fazíamos, só para descermos a rua, e em outro quarteirão parávamos, ensopados, com frio e felizes, eu e os meus irmãos, agora esta, guarda as tantas memórias, basta em frente dela passar, e lançar um triste olhar… esconde tantos segredos, tantas lembranças com ela se foram, e com ela, um a um também se foram, pouco dela restou, senão esta saudade.

E onde tudo começou... foi lá na serra, quando os meus pais se casaram e vieram morar em Fortaleza, aqui teve cada um de seus filhos...

É incrível como o tempo marca a alma da gente, marca os lugares, as paisagens singelas... e as lembranças vem feito um clarão que entra rasgão na negra noite, ou seja ao escaldante sol do meio dia, mas quando nos dias chuvosos toma conta de mim, a melancolia, adentra intensamente, causa frio que percorre os recônditos da existência com toda ousadia... Redescobre os segredos, dos desejos e dos sonhos, a vida traz um amor que a razão contagia. Então você percorre os labirintos que a alma aponta.

Redenção é uma cidadezinha do interior, que mexe com o meu interior... Cidade onde guarda as origens dos meus pais, e até alimentei o desejo de quando eu descansasse para sempre iria para lá, me juntar aos meus antepassados queridos, mas a vida às vezes nos dá outro rumo... ali já não aguarda a minha velhice, somente na vontade.

Ali... Onde os pássaros vem me despertar cedinho. Cidade da libertação dos escravos. Nasci em Fortaleza, mas a minha cidade de alma e de vontade, é Redenção. Onde reencontro as raízes. Onde dormem os meus antepassados, entre as serras verdes em tons variados, a fonte da nossa particular miscigenação. Ainda posso ouvir gritos e tilintar das correntes. É sempre uma curta viagem que me fascina... Silencio, bagagem e vou sonhando de olhos abertos como que hipnótica sensação. No percurso, janelas abertas recebendo a brisa natural e o vento com cheiro de relva levando uma suave sensação pra dentro de mim, fotografando flores silvestres. Com lágrimas de saudades dos que já partiram e as que deixo para trás, vou à Redenção!

Comigo vão as recordações, do meu pai dos meus avós, dos tios queridos que se foram, e dos meus irmãos que a eles fizeram companhia... Sim, levando muito da minha verdadeira alegria. Estradas... Caminhos... De um lado serras, do outro mais serras uma imensidão! Alturas.. De serras, de pedras de encontro ao firmamento, é ali que eu descanso deixando para trás tantos pensamentos e angústias. Não tem edifícios, são casinhas simples com fogão à lenha, sem quintal fechado, sem muros, o quintal é serra onde nelas se perde o alcance do fim que contrasta verde com o azul do céu...

Um frio gostoso que aquece a alma da nossa existência. Na chegada a alegria dos familiares queridos que tão bem nos recebem... Nem dá vontade de voltar. É um outro momento, que me proporciona muitas Alegrias... Sem dúvidas. Reencontros, risos, conversas jogadas fora, somos o que ficou de toda história. A casa grande do meu avô Marcolino é a mesma, as serras são iguais mas nós não. Me vejo ainda menina passeando, correndo ventos no rosto, férias! Agarrada nas mãos dos meus pais, bateu agora uma saudade imensa, saudade feliz por ter ter vivido tudo aquilo. Retornar me faz sentir de repente madura; Serras, terras de Redenção. Elas sabem que um dia nelas descansarei para sempre.

Onde reencontro os meus antepassados entre as serras verdes em tons variados, raízes recentes e miscigenação, ainda posso ouvir gritos e tilintar das correntes no percurso, janelas abertas recebendo a brisa natural e o vento com cheiro de relva levando uma suave sensação por dentro de mim, de saudade dos que já partiram e as que deixo para trás, vou à Redenção! De um lado serras, do outro mais serras uma imensidão! de terras de encontro ao firmamento, é pra lá que irei deixando para trás tantos pensamentos e angústias desconhecidas as quais não estou lidando bem com elas, será um outro momento que me proporcione quem sabe...

 Riacho das pedras

Alegrias... Sem dúvidas Reencontros, risos, conversas jogadas fora, mas seremos restos, sobras de gente que sobrou de tanta história A casa é a mesma, as serras são iguais mas nós não. Quando me vejo ainda menina, passeando, correndo ventos no rosto, FÉRIAS! Agarrada nas mãos dos meus pais, bate agora uma saudade saudade feliz por ter ter vivido tudo aquilo saíamos de Fortaleza, para termos liberdade sendo verdadeiramente criança, correndo rindo brincando com as raízes da terra, tão nossas junto à natureza... que está lá.. e é a mesma.

Retornar me faz sentir de repente "madura" Serras que sempre me esperam... Elas sabem que um dia nelas descansarei.. Estou fugindo literalmente para lá... Nada trocaria por esse momento, nenhum castelo ostentando riquezas, belezas, isso não combina comigo. Vou.. E onde durmo com os pássaros cantando, o coachar dos sapos, e o cri cri dos grilos... E NA LEMBRANÇA as vozes dos antepassados meus. Vozes de infância que se passam em meus sonhos, meu pai, minha avó eles outros que já se foram de mim... Me deixaram esse ser tolo, frágil cheio de sensibilidades.. Feliz as vezes, outras chorando.

Na infância tudo tem uma dimensão maior às nossas vistas, lembro que uma vez eu falei pro meu ex-marido, na verdade, que a casa do meu avô lá em cima da serra em Redenção-Ce., era uma casa enorme de varanda rodeando toda a casa... com terra que se perdia na visão... não menti na dimensão da terra, mas a casa... era grande, aliás ela até hoje é grande! Mas não tão imensa como falei pra ele... E passei muitos e muitos anos sem visitá-la. Quando já tinha meus três filhos bem pequenos, resolvemos subir à serra com as crianças... Ele amou a subida e o cheiro de relva! Encantou-se.... Quando chegamos à casa, a primeira coisa que ele observou... _ Você não falou que a casa era enorme! Passei uma vergonha! Na cidade ainda citada de onde vieram os meus pais, o que eu mais amava eram as feiras dos domingos...

As feiras nas cidades pequenas especialmente em Redenção, ah são incríveis! Até hoje, adoro. Era algo fabuloso ficou em minha memória até os dias de hoje... sempre vou por lá, caminhar, rever antigos e velhos lugares e amigos dos meus pais, e a minha família. Ali era ponto de encontro dos meus antepassados... HOJE QUANDO PASSO POR UMA FEIRA IMENSA... coração saudoso... recordações que acalentam a minha vida e também maltrata por não ter mais nenhum deles ali, tudo lá é tão só! Recordo com amor e como um tesouro bem guardado!

Estavam todos lá, espalhados por todos os lados... todos as manhãs de domingos; papai, meu avô paterno, avó materna (madrasta), os tios Manoel, Raimundinho novo, Raimundo o mais velho, Expedito, Zé Maria, Joaninha, Mazé, Rosinha, Chiquinha, e tantos primos... A mãezinha e irmãos dela: João Setúbal, Antônio branco, Antônio preto (Toinho), Luiz, Geraldo Piaba, e algumas esposas.. Todos esses personagens faziam a feira festa!

 E a bodega antiga, era ponto de encontro de todos da família e amigos, que se reuniam todos os domingos, desciam da serra para a pequena cidade no centro, cada um com seus cavalos, outros vinham no pau de arara...

E a visão linda! Verdes e todas as cores, frutas verduras, fresquinhas, tinha de tudo!  Muita fartura! Era gente demais invadindo o centro da cidade ao lado da matriz (Igreja), descíamos cedinho da serra para a pequenina cidade, em todas as minhas era as férias de julho... Era as festas matinais pra minha infância aos domingos.. Dessa família toda hoje, apenas nos restaram poucos, um tio único (Zé Maria) amo meu tio... ele retrata toda uma história, já falei pra ele que ele está proibido de morrer... fofo!

Tem a minha mãe... e alguns apenas.. Os outros estão enterrados no cemitério de lá mesmo entres as serras verdes... todos... Inclusive, dois irmãos meus minha avó (mãezinha) Saudades! As feiras continuam, sempre retorno  por lá... Mas  aquelas feiras! Nunca mais as terei...

Hoje... A minha alma pede trégua! Todo  silêncio ainda é pouco, preciso ainda além do silêncio. Quero viajar! Para um lugar onde ninguém me encontre. Hoje eu não quero saber de romance ou poesia. Do dia de hoje eu quero muito pouco... Eu não quero incomodar. Não quero conversa, nem euforia. Quero pegar a estrada... Mesmo que não seja minha. Vou sair antes que chegue o por do sol... Ele hoje está livre do meu olhar saudoso, não quero que o sol me encontre 0assim comigo mesma... Pensando aqui sozinha. Não quero descer para atravessar a ponte. Não quero sentir. Não quero tomar banho de chuva... Quero ficar em silêncio olhando os montes. Não quero alcançar o horizonte. Não quero da vida a sua efêmera beleza. Não quero filmes românticos, com final feliz, nem de desenganos. Não quero sentir saudades... Nem tristeza. Não quero mais nada. Hoje nada quero sem antes concretizar meus planos. Hoje... O amor precisa descansar... Vai aguardar o retorno de mim mesma. Riacho das pedras... À pequenina cidade que eu adoro, fica escondida por entre  serras, onde o sol se põe mais cedo, em Redenção-Ceará. 

Do saber dos homens à inocência, da falta de malícia e de experiência, os torna uma espécie de anjo, que só em sonhos se vê, feito a simplicidade dos pastores e seus rebanhos. No Riacho das pedras, terra que eu amo, interior onde nasceram os meus pais, até hoje continua a pureza do dia-a-dia. Os agricultores no emaranhado de serras, não se perdem, plantam e voltam ao entardecer. Com seus esforços, ganham seu sustento, sem ódio, com o seu suor, vivem sem ambição, para as suas famílias, e para os seus trabalhos, amam, oram e descansam para um outro dia, nem necessitam praticar o perdão. Na imensidão de terra, pelos matos, viajo aonde a vista alcança, é belo e mágico. Volto para dentro de mim mesma, há tempo para arrependimentos, e algumas reflexões.

Um tentar a desconstrução de sensações. O ar puro, é do que mais preciso, pisar firme na terra, esquecer o mundo lá fora. É reconfortante... a fumaça apresentando o café, o suco fresco de tangerina, as abelhas à voar, a poesia tem sabor de mel de engenho, da cana do açúcar, tem jeito de oração que a alma desfia com fé. Do terraço, assistindo tudo, minha alma viaja imaginando os meus antepassados. Aqui volto à ser criança, cheia de lembranças. Fujo dos meus injustos lamentos, onde tudo temos e encontramos sempre um jeito de reclamar. A quietude, a falta de obstáculos, a vontade de nunca mais sair daqui, pois tudo é somente exclamação. Original, é essa vontade de viver, desejo esse que me chama, para nos campos correr, aproveitar tanta beleza. Desse ângulo, qualquer leitura ou escrita se torna em vão.

O meu avô paterno, o chamávamos de paizinho. Ele era um homem sério, porém de muitas tiradas nas reuniões ao redor dele na serra, para ouvirmos suas histórias "era o mestre Marcolino" Um vez um lavrador de suas terras, chegando tirou-lhe o chapéu em cumprimento, respeito ao seu patrão.. tímido , meio triste e disse _ mestre Marcolino, "bor" noite, fulano de tal passou dessa pá mió querdita? _ Paizinho: _ Eu não to lembrado, qual o nome dele? _ele repetia; _um homem tão moço! _oh sim, lembrei agora e de que foi que ele morreu, ele tinha a minha idade não era? _ tinha não "meste" era mais novo, quer dizer; tava acabado, acabrunhado... meste era um cachorro véio, assim QUE NEM O SENHOR, mas acabou-se cedo. Lembro: (o meu avô ria tanto, contando as proezas da ignorância) e inocente forma dele se referir à ele. Longe de achar que o ofendia.. e o meu avô apenas sorria... saudades do meu avô.

Sem que ela esperasse, a máquina chamada tempo, lhe arrastou para um passado muito distante, quase apagado. As nossas lembranças são ventos que não descansam em nós, são fragmentos do tempo que vai nos transformando, transportando, moldando-nos, mas não esquecemos as nossas raízes, nem as recordações que nos emociona. Você vai juntando o que ouviu na infância, e muito mais o que vivenciou. Então não quer que alguns pontos importantes para você mesma, fiquem esquecidos, ...Dos fatos marcantes que ao longo da vida você vai deixando para trás, sendo a bagagem do seu inconsciente para a sua formação como ser humano.

A convivência com a sua família, com a natureza, com as dificuldades, recordações dos esforços e de suas grandes responsabilidades de quase seis décadas, dos seus primeiros dissabores... É você olhar para trás e sorrir recordando os cenários. É você chorar de saudades, daquelas pessoas queridas que passaram por sua vida e que nunca mais voltarão, porque já não estão mais vivos, bem como os irmãos, avós, e seu pai. A forma como os perdemos... Nem parece que foi real o que passamos, de bom ou de ruim... Mais se parece com pesadelos do que com os sonhos e com sonhos daqueles que ao despertamos, sentimos alívio ou sentimento de perda, então a saudade machuca. Porque lembrar os sofrimentos. Porque não ressaltarmos somente o que nos fez feliz?

Continuarmos o nosso caminho, nesse jeito antigo de ver o mundo e tudo o que nele está contido. - Dá ainda mesmo que com a mente cansada, caminhar em lembranças, pelo jardim da casa da mamãe, mexer nas suas margaridas, nas rosas dálias, no amor-perfeito, nas boninas, nas rosas vermelhas, rosas cor de rosa, amarelas, brancas, nos bugaris, nos jasmins, nas espirradeiras, nas florezinhas de nome primavera que subiam à cerca da frente da casa, assim era o seu muro feito de varas. ...Dá para sentir o cheiro das flores, e mais adiante, a hortaliça, era tudo tão bom, tão verde, e da latada de maracujá amarelinhos. Ali não faltava todos os dias as borboletas, não mesmo, não faltava o beija-flor. Era muito mais bonito de se ver do que de se lembrar... Não faltava também no enorme quintal da mamãe, longe do seu jardim à frente da casa, a criação de porcos, galinhas, patos, ... E no meio da tarde o café preto, sem leite, sem creme, era um café simples com tapioca com côco e o pão. Lágrimas, de saudades.

Hoje, não tem mais nada disso, nem a casa está cheia de irmãos, todos seguiram suas vidas, ela, a minha mãe, está velhinha, quase sem poder andar, conta as mesmas histórias, e eu as ouço, repetidas vezes e gosto, fico olhando para ela e lembrando a mulher forte que ela foi... Quando ela pergunta; - Tu se lembra? _ Lembro disso mais não mamãe. ( respondo, esperando ela relembrar e me contar) Ou por outra a ajudo à se lembrar. Quantas vezes rimos e choramos juntas nossas saudades; É a vida, são as nossas memórias, a alegria e a dor de cada um. Hoje, só hoje as palavras já estão quietas a dor já é apenas lembrada a história, virou  uma estória. Nada quero  dizer, não que eu não sinta, Só que o momento é outro.

A vida não se resume nas lembranças de infância, nem nos prados, muito menos nas flores silvestres... não ficou no fundo musical com o coro de pássaros cantando, nem nos sonhos noturnos iluminados pelas luzes esperança, dos vaga-lumes... Tantas e tantas coisas aconteceram depois... Sem saber. Antes de tudo era uma ânsia pelo amanhecer, quando eles diziam que cedinho iríamos sair, para onde eles iam juntos me levavam, sempre.

Depois era o percurso, sem sol ainda, os caminhos fininhos e curvas tantas, a areia, aqui e ali, córregos, onde era gostoso sentir os pés se molhando em águas transparentes, a areia clara, molhada prensada, e de todo lado era mato, era flor (flor dos matos) cheirosas, e as flores do Pajeú caíam devagar sobre a minha cabeça, eu fechava os meus olhos de felicidade, era a coisa mais linda a nossa vida real, não era sonho...

E os passarinhos? Esses mesmos que nos recebiam com tanta euforia, parecendo saber que enfeitavam a minha infância e se perpetuariam em minha memória, causando esse encanto que a minha alma hoje acalenta. Sou louca por pássaros, acho a coisa mais linda!

Sempre tive essa grande paixão pelos rios, pelo verde das matas e pelos pássaros...

Às vezes eu ficava tonta de tanto observar o rio, achava que a qualquer momento o rio ia me carregar para longe, eu gostava de ficar imaginando indo com as incansáveis águas... passando pelas pedras banhadas infinitamente, era um verde lodo, o limo das outras pedras, à margem, era a relva, o capim baixo, encharcado pelo excesso do volume das águas, que o leito não suportava... 

Essas lembranças dos meus pais, e enquanto eles em silêncio pescavam, eu ficava sentada em alguma pedra, na minha solidão dos inocentes, imaginando milhões de coisas, olhando as águas e por aquele mundo inteiro, encantada.

Não me recordo que senti medo algum dia, com eles... e nós atravessávamos para o outro lado do rio, era um desbravar! E pensar que tudo aquilo ficava no final da nossa rua, havia uma emoção que eu não sabia dizer, era a espera por um futuro que eu criava sem saber o que pedir, a sensação de vida, e certeza da proteção deles, e ao mesmo tempo de liberdade, dessas que na alma se entranha, e se torna parte da coleção das minhas paixões, rio, passarinho e liberdade.

Tantos anos se passaram e se eu volto ao velho rio, sinto tudo igual, o que já não existe é aquela antiga esperança, hoje é muito mais saudade, coisas que guardo calorosamente na lembrança, junto as águas do rio escorre as minhas lágrimas, por ter sentido tanta felicidade.

Enquanto o sol dava a esplêndida claridade e o calor necessário, abrindo as flores,  dissipando o peso que rondava os corações, à iluminar as ideias mais escondidas incentivando a realizar, a se integrar ao dia e fazer viver. Enquanto o céu mostrava o seu azul mais sublime, exibindo o desfile das modelos, as mais lindas nuvens já vistas, todas disfarçadas de algodões gigantes à enfeitar, algumas ainda meninas se riam quando o vento vinha e empurrava para longe das nuvens irmãs...  ou mães. O outro adiante, não podia enxergar.

 

Enquanto o vento varria as ruas levando bilhetes de amor, para aquele que morava na outra cidade e muito distante ... ela reclamava, sofria de graça, foi para isso que nasceu? Tem gente que se queixa tendo o seu mundo perfeito, e sempre reclama, é isso desde que mundo é mundo não tem jeito. Enquanto tem gente que nada tem... e vive agradecendo por tudo, ensinando a vivermos contentes.

Enquanto as queixas consomem a felicidade eu mendigo sem teto exposto aos calçadões em brasa ou no frio da madrugada sem um ralo cobertor, sem uma sopa quente ou um café quente, sem um olhar ou palavra de conforto para a minha alma aquecer. Muito menos de amor. _Não condeno, eu também sou mal agradecida, vez por outra me queixo, reclamo. Tento me corrigir, peço perdão, é que sou estudante... do mundo, ainda estou aprendendo.

Um sorriso traz inspiração, nessas horas silenciosas, mas os pensamentos dizem que não, lá no túnel da memória... um velho amor invade sem compaixão, faço um rascunho da minha alma - instante de solidão, desse mundo onde piso os desencantos, tateando a felicidade... contando da desilusão que cá desfila, um olhar triste, à árvore pousado tentando acalmar-se existe um sentimento acelerado que cheio de amor no peito, de todo rejeitado.

 Há três anos atendi a um chamado especial à porta da minha casa, o mensageiro me entregou um pacote meio pesado, assinei o comprovante de entrega, agradeci e curiosa entrei. Era inacreditável, porque mais de vinte anos havia se passado, eu nunca mais soube das minhas páginas que havia mandado digitar, no tempo em que me separei, me mudei, perdi o contato, já as julgava perdidas. Agora estavam ali em minhas mãos, que emoção!

Ainda dei uma olhada, nas páginas originais, meio que redescobrindo coisas tão antigas, chorei. Os meus filhos me perguntaram se eu não iria mandar para correção e impressão, e me pediram para ver. _ Podem olhar... Melhor não conferir essa etapa da minha vida, esta foi a época da minha escravidão. (falei)

A nossa antiga casa, até hoje está lá, permanece igual, não quero nem passar em frente, nem ver o quarto do lado do jardim, cheio de roseiras, onde eu escrevia, era o meu cativeiro diferenciado, a grande janela aberta para dentro, àquela grade, ao poente inconsciente me encorajava, mas não era inspiração, eu não escrevia sobre o por do sol, ou sobre a lua, eu sequer os percebia, era sobre o meu anseio de liberdade, e de sobrevivência, também eu não escrevia sobre o amor, mas falava de opressão, falava sobre uma guerra fria, onde o que gritava forte era a vontade de ser independente, sair da humilhação. A minha luta era para me desvencilhar, sem ter que pagar o preço com a minha vida, porque eu era ameaçada, e estava com os meus três filhos pequeninos ainda para criar.

Este foi o meu primeiro livro, mas escrito com a tinta das minhas lágrimas de sangue, eu tenho certeza que enquanto eu viver não terei coragem de abri-lo para ler, coisas que tento todos os dias esquecer. Eu não sinto e nem tenho nada para me envergonhar do meu passado, mas as trezentos e oitenta e nove páginas escritas no tempo em que eu dependia dele, faz com que eu não olhe para trás, nem leia as páginas proibidas. Elas e você ficam assim pelo tempo esquecidos. Agora respiro fundo e consigo beber o mundo. Você vive, eu vivo, somos de mundos diferentes, você materialista, capitalista, rico, eu sou simples, sou rica de alegria, sobrevivi, não acumulei bens materiais, mas tenho alma, sou gente, cresci.

Em algum momento cheguei à me perguntar na íntegra, se tivesse um dia a ousadia de lhe escrever uma carta, o que eu diria. Tem coisas que não devem jamais serem escritas, mas quando penso que um dia eu escrevi tudo tudo para poder sobreviver, escrevi porque não tinha ninguém para poder desabafar, escrevi para não enlouquecer.

Às vezes eu ouço ainda em meu pensamento as batidas das teclas da minha velha máquina de escrever, eu tenho certeza que ela naqueles meus dolorosos momentos, era a única que conseguia me entender. Recordo com muita tristeza o dia em que ele a arrancou de mim, ainda me disse que seria o meu castigo, jurou que iria tomar os meus filhos e mandar para a França. As páginas que com ela eu escrevi, continuam guardadas, amareladas, eu não tenho coragem de relê-las porque eu não quero mais sofrer.

Confesso que outro dia, até tentei, mas me doeu demais, logo as fechei e engavetei novamente. São páginas contemporâneas se as retratarmos com o quadro de mulheres submissas que perderam a sua força, infelizmente ainda existe, quando eles podem tudo e elas não podem nada. Jamais me submeteria à tais circunstâncias novamente.

Você pode fingir ou até mesmo conseguir seguir em frente e não se deter remoendo um certo passado, porém, tem arquivos de nossa memória que de vez em quando nos vem como um relâmpago e você sem se dar conta analisa num relance todas as coisas que você enfrentou para chegar onde chegou com muita dificuldade, eu não diria ilesa, porque muitos pedaços da sua alma, foram arrancados pelo caminho, e você teve que reconstruí-la milhões de vezes.

Quando o coração vai ficando cansado, não podemos submetê-lo à fortes emoções, e remexer em certas feridas, trazendo à tona o sofrimento superado, ele se acelera tal maneira que você deixa o passado onde ficou e fantasia que a vida é de fato o que ela é, esse encanto, essa inexplicável magia... Hoje, só escrevo amor e poesia.

 

As palavras me dizem; vou sair e eu, em cansativos caminhos, acredito em tempos tão iguais. Sem mais ânsia para chegar... Digo; cale-se… Minha percepção ao meu redor, eu não quero avançar o tempo, querendo devolver tudo que foi perdido, às horas... e o que fui. Fico parada… Toda a minha falta... e excesso. Sem abraços apertando o peito pela saudade se alguém, deixou. Não ame… As palavras exprimem uma voz que a vida inteira foi silenciada. Traduz essa alegria inexistente, brinca com a solidão das almas que penam em fingimentos… Não dou ouvidos. Mesmo quando estou acompanhada me sinto só… Por opção gosto de sair sem querer ninguém comigo às vezes é conversa, são os gostos prefiro andar em minha companhia sem hora para falar, calar… Eu mesma faço o momento de viver porque gosto mesmo é de sonhar. Quando eu jpgp conversa fora, tolas palavras fluem em turbilhões.



Liduina do Nascimento
Enviado por Liduina do Nascimento em 06/01/2012
Alterado em 04/11/2026
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