Liduina do Nascimento
Prosa poética e Crônicas
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B r a s a s


Cedo, o sol já estava queimando a minha pele.
Essa mania de caminhar me aquieta…
Fui por aí falando sozinha ouvindo os pássaros.
A cada momento sondando raras flores da cidade,
vi que elas sorriam. Eu não...
A essa hora, o que será aquilo? Incêndio?
-Uma fogueira, e tão linda em plena manhã!
Que chama!
As suas cores me prenderam!
Paro e pasmo.
Que dia é hoje? Estamos em junho?
E em que mês estamos, em que dia!?

O dia …
Esse presente maravilhoso, único, é o que eu tenho,
até que horas? -Não sei.
Só isso? Ou tudo isso? Contento-me; É a minha vida.


Nesse instante as folhas se multiplicam.
As nuvens festejam não sei o que…
Nasce e morrem, tantas coisas!
Sinto-me aos poucos também morrer.


Somando às estatísticas a minha tristeza.
Cética estou...
Que absurdo!
Eu que tanto sonhava. E acreditava até no amor.


Coloco a mão sobre o meu peito…
Sinto-me o quase fim, como o daquela fogueira

que nem sei dela o porquê?


O meu coração está em brasas.
Volto à estrada vagando para mais um dia.
Pronto já vivi. E agora o que faço?

Das brasas que ficaram acesas, esqueci.


Silêncio... O dia já foi. Para onde levou o sonho?
Cheguei... -Boa noite casa!
Boa noite meus gatinhos ... - Gigi e Nina,
vamos à ração, água... Carinho? Hoje não tem não.
Desculpem-me.


Boa noite computador tão sem graça.
-Sem respostas...
Boa noite mesmo assim minha flor.
Afinal ainda não morri.
Obrigada Deus por mais um dia.


Deve haver alguma razão ainda pra eu estar por aqui.
A vida não é só isso.  -Ou é?  Pois... Que seja.


Amanhã não sei se estarei viva para caminhar…
Hoje eu nada sou, e se eu estiver, se eu ainda for.

Talvez eu repense em tudo.


Liduina do Nascimento
Enviado por Liduina do Nascimento em 24/11/2015
Alterado em 05/11/2026
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