Liduina do Nascimento
Inspirações poéticas, tema livre, nesse poema em construção que é viver.
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Vozes




 
Outra noite eu perdi o sono, talvez por ter passado o dia inteiro tomando café, porquê quando fico ansiosa tenho o vício de tomar café... Não fico ansiosa com facilidade, não atualmente, mas tem certas coisas indizíveis que me tiram o sono de tal maneira, que a impressão que tenho é a de que nunca mais vou dormir, nesses momentos não tem ''Spring Waltz'' que me acalme... É quando penso na vida, na minha e na vida de todas as pessoas que eu amo, penso tanto e vai causando um nó no meu juízo, que me joga num labirinto quase sem volta, nesse instante me ponho à escutar o tempo, e isso na maioria das vezes não é muito bom, exceto quando tenho como fundo musical os ventos quando é noite fria, quando escuto tudo, até o que os grilos falam... ( e falam demais) E os ventos! Esses tem o poder de me arrastar para muito longe e quando me devolvem, estou diferente... E na madrugada é quando algumas vozes me chegam para despertar para a vida.... Você já parou para escutar quantas verdades a madrugada nos diz, e quantos segredos os ventos nos falam?  Voltando aqui ao café, à meia noite, sempre o maior protagonista da história da minha vida, nem chamaria de vida, a minha sem o café, até eu já poderia morrer isso é certo. Existe todo quase um ritual na preparação do meu café matinal ao vespertino, hábitos insubstituíveis que já são parte de mim, pois enquanto a água ferve, fico pensando no que vou fazer para degustar, só por complemento, o ponto fraco é ele, viajo em sua escuridão, amo quando ele vai se molhando e o seu cheiro vai tomando todo o espaço que ocupo, é maravilhoso! É como se ali toda a minha fantasia de amor e os meus devaneios  fossem se realizando diante do meu sublime café. Não, não quero ele pingado, tampouco muito adoçado, mas sempre muito quente, no ponto, senão ele perderia totalmente a graça, e até ele chegar à xícara, já tenho viajado milhões de ares e de terra, menos de quatro mil quilômetro certamente... Até chegar o momento que em certos braços me acolhem, toda a minha ânsia se encerra. E quando passo dos meus limite e vou além, deixando o restinho de café na xícara e com ele já tendo ido aonde a minha alma queria chegar... Imersa na bendita insônia, me ponho outra voz triste à escutar, de certa distância, no quase silêncio da longa noite. Desta vez, é a voz de uma mulher contando o que havia sonhado na noite passada, eu que não tenho muita paciência para escutar estórias, longos contos, fiquei à janela, querendo distinguir àquele sonho dela, ou quem sabe uma realidade disfarçada, enquanto havia como fundo musical enfeitando as suas fantasias uma forte ventania, parecia um vendaval, e eu gostei, parada naquele silêncio quebrado também pelo seu quase lamento fiquei. E a voz da longa verdade ou da fantasia daquela mulher, escutei, era uma história muito dramática, exagerada e triste, ela amava como jamais alguém pode amar, e em seu amor impossível ela insistia em acreditar. Ouvi, e confesso muitas coisas naquele instante senti, até me identifiquei, se ela contava aquela história para as paredes ou para alguém, eu não sei. Foi quando o meu sono chegou e me abraçou, nem eu nem ela sabíamos como iria acabar, ou começar àquela história de amor, ela chorava baixinho, abaixo da minha janela, solitária em seu quarto e eu em solidariedade, chorava de cá, pensando no amor e na minha felicidade em poder daqui a pouco com o meu amor sonhar. Não sei se o que acabo de escrever, se é prosa ou conto, sei lá o quê, o que isso pode importar agora? O que importa mesmo para mim, é que ao amar de verdade, faz com que você sorria, mas muitas vezes a vontade de ter seu amor por perto, sem poder, lhe faz chorar. Para que procurar indagar, se a poesia investiga demais, questiona, não é poesia, na vida é preciso certas realidades, aceitar.
Liduina do Nascimento
Enviado por Liduina do Nascimento em 06/02/2021
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