Liduina do Nascimento
Inspirações poéticas, tema livre, nesse poema em construção que é viver.
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Letras dos sonhos


 
Quando eu era criança, brincava de carrinho de madeira, feito pelas mãos inocentes e inteligentes dos meus irmãos, também soltei muita raia, que chamam de pipa, joguei muita bola com eles, no campo que havia ao lado da casa dos meus pais... Completei doze anos de idade, foi quando ganhei a minha primeira irmã, então foi uma diferença enorme, não vivemos as mesmas fases, a minha infância foi toda de convivência com três irmãos: Antônio, Francisco e José, as minhas brincadeiras com minhas bonecas, era de inconsciente solidão, foi quando aprendi a conversar só, os meus irmãos, enquanto meninos não me davam tanto ouvidos, até hoje tenho o hábito de conversar sozinha, e bastante, quando o monólogo incomoda, daí escrevo.

Ontem o meu sono demorou a chegar, acredito que foi o excesso de sonhos que tive acordada, enquanto tomava o meu café pensador, do final de tarde, seguido de outras xícaras, observando o movimento intenso do vai e vem de carros e suas buzinas, em constraste com a invasão dos pássaros chegando na árvore que fica aqui em frente, e com olhos curiosos fui em busca de um raio de sol que fosse, a minha alma estava com sede de crepúsculo, mas há três dias o meu céu perdeu o tom alaranjado e até o azul infinito está encoberto, nos finais de tarde. E o céu sisudo na sua camada cinza não me intimida, nele eu também viajo, e fico debruçada sonhando, em uma mesa que fica num lugar que por hora chamo de meu. Onde estamos naquele instante é o que temos de nosso, pode ser até mesmo debaixo de uma árvore, sentada riscando o chão com um graveto qualquer na mão.

Escrever é como quem faz uma faxina na casa e não quer deixar poeira alguma em nenhum lugar, ou não, sempre esquecemos ou deixamos alguma coisa à ser feita. Não sou pássaro nem sou flor, desprego-me do chão e a minha alma chega a ter mais força que as asas de uma águia determinada, sou a alma que nunca está aqui, desde cedo essa sonhadora não se prende, voa para além, se jogando no ar, e não se fixa onde não pode ficar, pois sabe do seu destino, resta então aceitar amar por amar, volta cansada muitas vezes, para amanhã cedo, encontrando uma janela aberta, secar as lágrimas pelas dores do mundo e as suas em particular, e seguir... E a quem nunca chorou ou sofreu por amor, não dou os parabéns, chorar faz bem, depois sorrir, e por aí continuar à voar, essa minha alma recupera as asas facilmente e grita lá no alto a sua vontade de nos braços do seu amor se encontrar, ela é assim, não pode olhar para o céu seja da cor que for, esquece a tristeza e dança com alegria quando amanhece o dia, grita mais uma vez desse amor, e diz essa é minha sina, implodir as vontades, e nas letras dos sonhos contar do amor o seu encantamento, e saber que esse céu é todo meu! E já se foi sem hora para voltar. Os sonhos são pipas no ar... A gente conta em prosa, em verso, em crônicas, seja lá o que for, desde que seja escrito com amor.

Quando eu era criança, eu tinha uma avó maravilhosa, minha mãezinha Dona Lourdes, que contava muitas histórias de trancoso, depois era fácil, fácil dormir e sonhar, talvez por isso cedo aprendi à imaginar um mundo sempre novo, conto as minhas próprias histórias com o final que quero ter, e fica mais fácil de ser feliz, esse mundo lindo, mas que às vezes faz chorar, normalmente todas noites consigo dormir e sonhar, às vezes perco o sono, e não desperdiço o instante porquê tudo faz parte da vida que amo, do jeito que posso aproveitar.
Liduina do Nascimento
Enviado por Liduina do Nascimento em 13/02/2021
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