S e m t r a u m a s
Anoiteceu, e as outras noites que virão!?... Quando o sono desaparece, não fico pensando no passado ou anseio por um futuro, em meio ao silêncio, desejo dormir para ali encontrar o que acalento... Ainda desperta, sigo. Espero a madrugada, vou sentir o sereno calmo. Abro a janela, a lua já vai longe, deixando para trás as estrelas, sumindo o cintilado dos sonhos que tenho acordada... Feito relâmpago os meus pensamentos percorrem um tempo do encantamento que sempre habitou em minha alma. Revejo sem saudade a criança que fui, vim... e de lá não trouxe nenhum trauma.
Antes corajosamente, vivi as longas caminhadas, escalando as serras verdinhas, desbravando selvas e labirintos... Foi o que fiz... é o que guardo, os campos cobertos da folhagem do arroz, bananeiras, canavial, algodoeiro entre outras plantações... Deslumbre.
Do alto, literalmente eu conseguia tocar as nuvens, que se desmanchavam em minhas pequenas mãos, já essas nuvens de hoje derramam amor, chegam carregadas de paixão, quando os ventos as tangem... Levam junto minha alma amorosa em busca do que só eu sei... E chega a outra noite, de lua e mais milhões de nítidas estrelas, dando brilho à distância... sei que amar desse jeitinho, de muito muito longe, essa é a minha sina.
Aprendi muito, no tempo a fora, e agora corajosamente desbravo o meu destino. Superando os abismos, num equilíbrio que nem eu mesma acredito! Estou muito longe de ser aquela menina.
Gosto de tudo o que é a vida... Gosto de saber que está bem ali, longe, longe! Sem sair daqui... Gosto dos banhos nas águas abundantes e da força dos seus rios de inspirações, dos seus inteligentes pensamentos sentidos e indagações... Versos que desaguam bem aqui dentro, vivo à margem da sua doce presença e de lembranças. Ainda consigo em sonho tocar a sua alma de homem criança que transforma letras em imagens visuais, e dão o toque lírico aos meus rastros deixados pelos caminhos. Percorro em suas frases inesquecíveis, quando hesita entre a verdade e a fantasia... Gosto quando a minha sede de você, dum jeito especial, vem calmo e ciente, à minha alma, você sacia.
No seu mundo por onde eu viajo, mundo de flores, instigante, mágico! De realidades docemente expostas. Que de tão sensível, sempre me cativa. Vou de olhos fechados, apago estrelas, daí vem por fim o sono nessa paz que emana da sua alma. Você é o meu poeta, e ser poeta, é nada ostentar, é a vida na simplicidade, é esse o seu retrato, de não ressaltar mágoa, crítica ou rancor... e nada viver além do amor.
Percorro esses caminho seus, que a minha alma ilumina... Isso me traz felicidade. As dificuldades ao longo da vida quando tive que passar não me traumatizaram, é numa infância feliz, plena de amor e de cuidados, que aprendemos a convivê-las e com o tempo a tristeza superar, sem superstições, sem preconceitos, fanatismo, esqueci da fase adulta os sofrimentos, vivo do meu jeito que somente a mim mesma pode interessar.
Expressar as próprias vivências sejam quais forem, é uma opção, falar sozinho para as paredes, ou soltar a voz ao vento... o importante é ser livre para escrever sobre si, viver a própria vontade, ou não... eu por mim não me importo com quem diz que o que escrevo está errado, fora de ordem e que não se encaixa no perfil de poesia ou de poeta, não sou poeta, não sou escritora, sou alguém que espalha por aí as palavras que sinto vontade de expressar, desprovida de rancores, tenho os meus próprios valores.