
Falando de amor incondicional
As memórias que não estão no consciente, permanecem no subconsciente ou inconsciente, de vez em quando chegam e ao escrevê-las rebusco o profundo que ficou do tempo, e que foi tão bom! É a forma de reviver e continuar a aprender, a absorver intensamente o presente.
Desde menina, aos dez anos de idade, eu já queria liberdade, e corria livremente, até porque sempre tive bastante espaço físico desde a minha infância, fosse na escola, em casa, e nas férias todo mês de julho era sagrado, ir para a serra, entre serras e quintais tive uma infância muito bonita. Embora nem soubesse ao certo o que significava liberdade...
Era um tempo em que as mulheres não tinham nenhuma voz, e criança então! Éramos meros figurantes... (bem cuidada) amada, mas ouvia tudo em silêncio, não podia opinar, reclamar, apenas seguir as regras, e por esse motivo eu sempre ficava de castigo por ser respondona e gritar quando era muito contrariada, fui muito mimada pela minha avó materna minha (mãezinha) e pelo meu pai, quem me educava mesmo impondo regras era a minha mãe. (sei que dei a ela bastante trabalho) posteriormente na vida adulta nos tornamos grandes parceiras na luta para sobrevivermos, com muito amor e respeito mútuo.
Eu e os meus dois irmãos mais velhos, (os três primeiros) éramos um grude só, fazíamos todas as danações de meninos sempre juntos, só depois vieram mais três irmãos, enfim… Tirando os meus irmãos, sempre tive poucos ou nenhum amigo, mesmo na escola nunca me enturmei, nunca fiz parte de grupos, nem hoje (aliás, hoje principalmente não tenho amigos, mas colegas) sobre amizade antiga e que será para sempre, só duas amigas. Quando eu era menina sempre fui muito curiosa, escutei muitas coisas que hoje ainda martelam a minha memória, coisas que na minha vida adulta não quis jamais repassar para os meus filhos, por serem de outra geração. Exemplo entre tantos outros, eu nunca quis; c a s a m e n t o.
Nunca vivi um amor na íntegra, mas dele, sempre ouvi falar, d’um amor romântico que só havia em contos de fadas… criei as minhas defesas, e também as minhas fantasias dizendo do amor nunca desistir, mas na realidade nunca me propus a vivê-lo de verdade, a não ser nas letras, nas poesias tristes ou esperançosas da minha imaginação, das que li, ou criei…
Eu me pergunto como uma pessoa alucinada por liberdade poderia dividir a mesma cama? Esse fanatismo por liberdade e independência nunca me permitiu dividir a minha vida, dediquei e dedico a minha vida todinha com o amor mais infinito que há no universo inteiro, aos meus filhos, ah esses sim, eu sempre quis ser mãe, sou uma mãe dedicada demais, por eles respiro e sou grata demais à vida que me deu eles três. Não existe nada no mundo que eu ame mais.