Liduina do Nascimento
Mágico é o amor... Chega feito o vento, doce semente que a alma acolhe infinitamente.
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Deixando desertos

Os meus passos, propositalmente lentos por ruas conhecidas, e cada canto, casa, igreja, cada edifício antigo traz marcas inapagáveis na minha memória, lugares que habitam em mim… Desenhos em algumas antigas calçadas, mosaicos, fachadas, os troncos das árvores, galhos floridos, outros secos…

O sol brilhante, e algum lugar que não ouso visitar por me tocar profundamente, recanto que não quero sequer lembrar, foi cativeiro do qual a minha alma conseguiu há muito se libertar, mas tem coisas que jamais apagamos de uma memória sã.

Quando o mundo incomoda, temos que calar algo por dentro, não ficar no reflexo de um espelho que quer falar o que não preciso ouvir… vou deixar os detalhes escaparem da memória, sem a brisa mansa que vem com as marés e inebria… distrair o olhar com as folhas secas caindo… Assim é que a minha alma descobre a sua própria estação, sem pressa, sem hora para aquietar-se, escolhe o seu lugar de aconchego para apropriar-se, fincar a bandeira da solitude, que nem para os ventos acena, e aprofundar-se, alheia ao que não soma.

Um lugar silencioso de paz e beleza, inacessível ao estranho, é aonde estou, e onde sou eu, inteiramente eu, às vezes sem risos, sem lágrimas, ou subterfúgios, na autenticidade a angústia do existir não me confunde.

Onde só o que sopra calmamente é a vontade de cada vez mais fugir dos desertos por onde penei, onde carregava no peito o anseio por um oásis calmaria…onde sua sombra e suas águas transparentes acolhesse de vez a minha essência, um refúgio secreto da alma que tardia, aprendeu a se dar valor, e se amar.

Um lugar para a compreensão de que não existe solidão, nem plenitude, mas que por findar o caminho, cessar os passos que já não dói trilhar, entregar-se ao manancial das emoções, beber das águas, e banhar-se na pureza da luz que o lugar emana. Estar consigo mesmo significa a paz, onde a ilusão e a desilusão se dão as mãos sem ouvir as vozes que atordoavam, antes gritam mostrando aqui é o meu oásis no tempo perfeito que no meu próprio destino eu tracei, não são coisas da imaginação, é literalmente o novo mundo que eu criei.

Liduina do Nascimento

❤️
Enviado por Liduina do Nascimento em 05/08/2026
Alterado em 08/10/2026
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